10 março 2009

Morfologia da indiferença

.Morfologia da indiferença
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Como se todas as palavras houvessem sido ditas
e o silêncio fosse agora a distancia mais curta entre as nossas bocas
sem assunto ou sequer motivo para despertar o pensamento
uma linha contínua de indiferença rasa o nosso peito
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Como custam a passar os minutos onde não nos queremos ver
parece uma dor minúscula a quem prometeram tornar-se maior
ciente de pouco a pouco ganhar expressão e profundidade
até que a saciedade a transforma num grito
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E vencidos culpamos tudo que a tal seja imune
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.Borealis in Aurora

09 março 2009

Puro Egoísmo

.Egoísmo puro
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E eu ?
É a pergunta que fica
quando já conjugamos
todos os verbos
nas pessoas alheias
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E eu ?
Pergunta o meu egoísmo
querendo saber o quando
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.Borealis in Aurora

24 fevereiro 2009

Simulacro

.Simulacro
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Lá do alto da tua aparência
nada poderia suspeitar
que a duvida seria tão corrosiva
atacando a tua essência
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Ao ponto de não conseguires sorrir
o automatismo facial encravou
no preciso momento que simulavas felicidade
e tudo dentro de ti não podia ser mais triste
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Sem lágrimas ou lamentos despropositados
só a verdade que farta de maneirismos
decide despir-se diante dos teus olhos
dizendo tão nua quanto crua o que és
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.Borealis in Aurora

23 fevereiro 2009

O rio da vida

.O rio da vida
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Já passaram as águas
e o rio está mais uma vez vazio
ermo de corrente e remoínhos
como se nada houvesse sido
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As pedras falam em surdina
uma conversa de outros tempos
onde a agua embalava os leitos
e tudo era então um só caminho
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O vento percorre a devastação
segue redondo entre as pedras
procurando o que só agora deu conta de perder
a vida , a vida , a vida
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E sem que me veja em plena razão
sinto o vazio do rio no meu peito
pergunto-me por onde terei eu ido
para perder tanto em tão pouco caminho
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.Borealis in Aurora

21 fevereiro 2009

Alcançar

.Alcançar
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Ainda que a tormenta pareça interminável
os dias do teu sorriso primaveril virão
esperam impacientemente que voltes a ser tu
que percas esse jeito de pessoa crescida
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Aguardam para lá da vidraça da tua janela
enquanto te deixas embrenhar nas teias da vida
correndo contra o tempo nessa disputa tão desleal
até que um dia qualquer percebas a ironia
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De seres grande como as estrelas e os cometas
quando levantas os teus braços querendo tocar-lhes
e tão adulta nessa tua certeza por demais triste
de haver demasiada distância para braços tão pequenos
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.Borealis in Aurora

20 fevereiro 2009

Promessa

.Promessa
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Vê como os dias definham
num silêncio luzidio
e eu adormecido pela cor
suspiro pelo amanhã
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Amanhã e mais um horizonte
os tons de terra sedenta
a imensidão de mim ao infinito
o sonho que tanto se adia
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Amanhã , minha promessa vã
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.Borealis in Aurora

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