04 julho 2020

O Amor




O Amor
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Ah
quem dera
que os teus olhos se apaixonassem
por mim
assim escrito
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Ah
que amor seria
ir de mim a ti
sem passar pela carne 
e terminar beijando
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Ah
que bom seria
despirmos a humanidade
e encenarmos fogo fátuo
na penumbra do quarto
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Ah
sonha comigo este amar
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.Borealis in Aurora

Estive a pensar



Estive a pensar
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Lembrei-me de ti
e já consigo sorrir
nada me traz a dor
somente a ausência
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Um alivio profundo
de me seres indiferente
já nada pulsa lá no fundo
apagou-se a réstia
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Hoje o ceu é mais azul
já não vens  para magoar
adormece e sossega
tudo que foi , era
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.Borealis in Aurora


03 julho 2020

Sine diem

Sine diem
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Havemos de subir ao Everest
Que há dentro de todos nós
Começaremos pela altivez injustificada
Passando pela certeza da pequenez
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Seremos pouquinho , quase nada
Mas nutrimos o ego pela calada
Fazemos de conta que somos imensos
Mas acabamos pouco depois de começarmos
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Simulamos em bicos de pés
Trocando a promessa de sermos felizes
Por uma qualquer circunstância casual
Adiando sine diem o volte face
O avesso da nossa hipocrisia
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.Borealis in Aurora




30 junho 2020

Descaminhar



Descaminhar
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Conta-me o teu caminho
fala das pernas cansadas
e do lamento afogado pelas lágrimas
indo para não se sabe onde
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Porque ficar magoa
é uma lança diária que ameaça
diz matar a coragem passo a passo
até cegar a bussola da esperança
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Caminha por esse linha perdida
onde acreditas ver o teu norte
mas lá no silêncio mais profundo
não há como enganar os becos
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.Borealis in Aurora

O Sonho

.O Sonho
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Já te procurei num corpo abandonado
ao qual a alma jamais iria voltar
porque um corpo entregue ao abandono
não é poiso para a felicidade do regresso
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Deambulei pelas ruas estreitas da desgraça
pareceu-me o teu perfume num regaço
mas desperto dei-me conta do equivoco
não cheira bem o erro da farsa
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Lamuriei pela calçada abaixo até ao cansaço
queria-me longe da solidão e no teu abraço
mas levou-me a vida até ao absurdo de sonhar
e sonho meu amor que ainda és amada
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.Borealis in Aurora

Tudo do nada

Tudo do nada
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Tudo que de mim levaste
dava para encher uma mão
rodopiando no infinito
como se tivesse propósito
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Uma lufada de ar rarefeito
como sobressalto asmatico
querer mais não se sabe de quê
ar sabe-se lá
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Tudo que de mim levaste
dava um livro por escrever
uma lágrima por cair
um ai que pena
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,Borealis in Aurora


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