22 outubro 2024

Marionetes

 Marionetes

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Olha para nós ,

somos somente uma mão cheia de palavras

um qualquer pretérito imperfeito da vida

resumido a uma memória vã e fugidia

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Já não somos aquele estertor dos dias 

muito menos a luz que rasava o horizonte

passamos da imensidão ao quase nada

e que ainda assim teima em querer ser jamais

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Agora seremos marionetes sem fios 

trapos que lembram tudo que nunca fomos

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.Borealis in Aurora








20 agosto 2024

Sou eu

 Sou eu

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Sou eu , sou eu , sou eu 

O mais longe que se pode ser 

De uma qualquer pedra 

Pisada por ti nessa tua pressa

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Sou eu, sou eu , sou eu

O caminho que não te serviu

Porque merecias melhor 

E eu nunca cheguei a bastante

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Sou eu , sou eu , sou eu

O dono das palavras por dizer

Aquele que ouvia e fingia calar

Abraçado ao arrependimento

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Sou eu ,  sou eu , sou eu 

Que levo na mão a amnésia 

E vou esquecer tudo que nunca foste

Negar a tua existência 

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Sou eu , sou eu , sou eu 

O verbo triste do amei-te

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.Borealis in Aurora



29 junho 2024

Incondicional

 


Incondicional

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Planeia o voo rasante ao impossivel

leva tudo que nunca sonhaste nas asas

e da-lhe um pouco de ar incondicional

deixa que voe e seja sustentação que baste

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Deixa-te ir até ao longe demais 

pode ser que visto de lá o mundo pareça melhor

e todos os pontos finais pareçam virgulas

para que os amanhãs nasçam a sorrir

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Não tenhas tantas certezas nem convicções

tudo isso pesa demais na hora de voar

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.Borealis in Aurora

Fisionomia do nada

 Fisionomia do nada

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Os dias passaram 

perdi a conta ao despertar das manhãs

sei que a luz vinha ora abrupta ora desejada

irrompendo pelo meu receio a fora

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Que virá perguntava-me a duvida

e a respostas eram um copo vazio

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.Borealis in Aurora


31 dezembro 2023

Para ti

Para ti

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Deixa me perdoar te enquanto posso

Os dias têm cobrado a sua quota parte

E eu temo não ser tanto quanto pensava

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Deixa me passar um pano de lágrimas

Por todas as palavras que nunca pousaram

Pois teimam só o poderem fazer na verdade

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Deixa me tentar esboçar um sorriso por ti

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.Borealis in Aurora

E agora sal

 

E agora sal

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Ja foram remadas as marés

Tormentas e outras que nem tanto

Mas agora sei quanta salinidade 

É preciso para  conseguir sonhar o doce

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Sei que basta um palmo de agua 

Para sufocar o sorriso e apaziguar a mágoa

Umas quantas braçadas na direção errada

Para perdermos o norte da vontade

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E lá,  onde o aparente faz de horizonte

Existem todos os dias que me prometi

Salinidade e a brisa para a flor de sal

Porque neste sumir só nos resta suspirar

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.Borealis in Aurora





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