31 dezembro 2024

Tempo

Tempo

.

.

.

Estas são as horas que se vão 

Como grãos de areia fugindo da mão 

Uma colecção de momentos e pensamentos

Que se vão aninhando na memória 

.

Faz tempo que deixei de contar o tempo

Sei que é uma historia de somar a subtrair

Um tremendo crescendo que só decresce

Onde todo hoje  é um prefácio do fim

.

.

.

.Borealis In Aurora



28 dezembro 2024

Vive

Vive

.

.

.

Não deixes o amor a meio 

nem vás ao pretérito mais imperfeito

fecha os teus olhos e tens o sonho inteiro

por muito que tenhas medo

.

Não deixes o amor a meio

da lhe poiso no estio do teu peito

esse calor que escondes para lá dos olhos 

e sê tudo que se calou demasiado tempo 

.

Não deixes o amor a meio

vive esse fio de navalha invisível ,sê inteiro!

.

.

.

.Borealis in Aurora

24 dezembro 2024

Os Meninos

 Os Meninos

.

.

.

Deixa-me ajeitar estas palhas perdidas

e tentar fazer com que pareçam dignas

para que um corpo agora nascido 

possa nelas encontrar algum conforto

.

Deixa-me ajeitar esta réstia de carinho

que guardei no mais escondido de mim

para que até eu consiga ainda acreditar

valer a pena termos o coração nas mãos

.

Deixa-me ajeitar este acreditar no amanhã

para dar um pouco de descanso ao medo

e aligeirar o peso que é traze-lo no peito

para que o hoje valha a pena ser lembrado

.

Deixa-me ajeitar estes meus olhos cansados

dizem que já viram um pouco de tudo 

mas julgo ser presunção sua para evitar o pior

já só querem ver o que vai escondido nas pessoas

.

Deixa-me ajeitar os sorrisos no meu rosto

acreditar que a todos Meninos lhes espera colo

o mais puro amor e o beijo de suas mães

deixa-me sonhar que há um mundo assim

.

.

.

.Borealis in Aurora


Ponto Final

 Ponto final

.

.

.

Tenho as palavras cansadas

evitam os meus dedos a todo custo

não querem mais ser incompreendidas

chega-lhes de incerteza 

.

Têm medo da tradução sem critério

de serem julgadas vãs quando lamentam

fúteis ou eventualmente disparatadas

porque são arrancadas da terra mais árida

.

Há todo um deserto sem merecer nome

paisagens onde o esquecimento se perde

porque isto de escrever tem que se lhe diga

é acordar tudo que se quer adormecido

.

A custo têm alguma piedade pela autoria

mas fazem questão de o destino ser ponto final

.

.

.

.Borealis in Aurora



Saudade

 Saudade

.

.

.

Tenho medo de mesas vazias 

lembram-me de onde venho 

tudo que devia ser e já não é

tenho medo de mesas vazias

.

.

.

.Borealis in Aurora

22 outubro 2024

Marionetes

 Marionetes

.

.

.

Olha para nós ,

somos somente uma mão cheia de palavras

um qualquer pretérito imperfeito da vida

resumido a uma memória vã e fugidia

..

Já não somos aquele estertor dos dias 

muito menos a luz que rasava o horizonte

passamos da imensidão ao quase nada

e que ainda assim teima em querer ser jamais

.

Agora seremos marionetes sem fios 

trapos que lembram tudo que nunca fomos

.

.

.Borealis in Aurora








20 agosto 2024

Sou eu

 Sou eu

.

.

.

Sou eu , sou eu , sou eu 

O mais longe que se pode ser 

De uma qualquer pedra 

Pisada por ti nessa tua pressa

.

Sou eu, sou eu , sou eu

O caminho que não te serviu

Porque merecias melhor 

E eu nunca cheguei a bastante

.

Sou eu , sou eu , sou eu

O dono das palavras por dizer

Aquele que ouvia e fingia calar

Abraçado ao arrependimento

.

Sou eu ,  sou eu , sou eu 

Que levo na mão a amnésia 

E vou esquecer tudo que nunca foste

Negar a tua existência 

.

Sou eu , sou eu , sou eu 

O verbo triste do amei-te

.

.

.

.Borealis in Aurora



29 junho 2024

Incondicional

 


Incondicional

.

.

.

Planeia o voo rasante ao impossivel

leva tudo que nunca sonhaste nas asas

e da-lhe um pouco de ar incondicional

deixa que voe e seja sustentação que baste

.

Deixa-te ir até ao longe demais 

pode ser que visto de lá o mundo pareça melhor

e todos os pontos finais pareçam virgulas

para que os amanhãs nasçam a sorrir

.

Não tenhas tantas certezas nem convicções

tudo isso pesa demais na hora de voar

.

.

.

.Borealis in Aurora

Fisionomia do nada

 Fisionomia do nada

.

.

.

Os dias passaram 

perdi a conta ao despertar das manhãs

sei que a luz vinha ora abrupta ora desejada

irrompendo pelo meu receio a fora

.

Que virá perguntava-me a duvida

e a respostas eram um copo vazio

.

.

.

.Borealis in Aurora


Arquivo do blogue

Acerca de mim